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Visualização da coparticipação

Como um discovery revelou que o maior problema não estava na interface.

Imagem principal do case Visualização da coparticipação

Resumo

Resumo executivo

A iniciativa era incluir no app Dr. Alper, da Alper Seguros, a consulta ao extrato de coparticipação. Antes de desenhar qualquer tela, o discovery revelou um problema mais profundo que a interface (ver Restrições). O case termina em diagnóstico e recomendação de escopo, sem solução implementada.

Cliente

BU Gestão de Saúde

Ano

2025

Papel

Product Designer

Ferramentas

Figjam, NotebookLM, Google Sheets

Plataforma
App Dr. Alper
Usuários
Beneficiários de planos de saúde corporativos administrados pela Alper Seguros
Escopo
Discovery da funcionalidade de visualização de coparticipação para um cliente-piloto, com potencial de expansão para outros clientes
Contribuição
Discovery, entrevistas, análise de dados operacionais e recomendação de escopo

Contexto

Contexto do projeto

A visualização de coparticipação no app Dr. Alper foi uma promessa comercial feita ao cliente-piloto. O app é o canal do beneficiário dos planos de saúde corporativos da Alper Seguros. A coparticipação é a parcela de cada procedimento paga pelo próprio beneficiário, e cada empresa define as próprias regras de isenção e repasse.

Desafio

Como mostrar a coparticipação no app?

Restrições

Restrições do projeto

O escopo trazia os dados que os stakeholders queriam ver na tela para a consulta ao extrato de coparticipação no app, presumindo que estavam disponíveis e confiáveis. O discovery mostrou o contrário.

LGPD e sigilo médico

A fatura mistura o valor com dados de saúde sigilosos, e a LGPD exige triagem manual antes de o dado circular.

Formatos e regras que mudam a cada cliente

Cada operadora envia um formato próprio, com regras que mudam de contrato para contrato.

Repasse ao RH fora do alcance da corretora

O RH de alguns clientes aplica os descontos num processo que a corretora não acompanha.

Meu papel

Meu papel

Fui responsável pelo discovery completo, da investigação inicial à recomendação de escopo: entrevistas com Faturamento e Operações, mapeamento do processo e análise dos chamados do Concierge.

Decisões

Decisões de produto

O raciocínio por trás de cada escolha, incluindo o problema, as alternativas consideradas e por que a decisão final fazia mais sentido.

Decisão 01

Não desenhar a tela de coparticipação ainda

Decidi

Interromper o desenho da tela até o discovery responder se o dado podia ser consumido com segurança. A pergunta passou a ser em que ponto, depois da triagem manual, o produto poderia consumi-lo.

Em vez de

Seguir o escopo comercial e desenhar a consulta ao extrato com os dados que os stakeholders pediram.

Porque

Uma tela criaria falsa sensação de precisão e comprometeria o time com um prazo que a origem do dado não sustentava.

Trade-off aceito

Atrasei a entrega prometida ao cliente-piloto, o que gerou atrito com o comercial.

Outras decisões

  • Tratar o cliente-piloto como fluxo à parte (upload manual assistido) até resolver duas dúvidas de privacidade: se o titular pode ver o extrato do dependente e o que mostrar sobre menores. O piloto segue manual, sem previsão.
  • Levantar quantos clientes têm regra de coparticipação (cerca de 400 contra cerca de 1.923 sem) antes de justificar investimento em automação. Isso adia a decisão, sem prazo.

Diagnóstico

O diagnóstico, em camadas

Um diagnóstico em quatro camadas. O pedido de visualização no app é só a parte visível de uma cadeia que envolve triagem manual por LGPD, custo humano para aplicar regras de isenção e risco de responsabilidade entre a corretora e o RH. Nenhuma tela resolve isso sozinha.

Ilustração do iceberg do diagnóstico do case Visualização da coparticipação

Evidência

O que os dados mostraram

584

Chamados sobre coparticipação em 2025

Cerca de 3% do total de chamados do Concierge no período.

95%

Pedidos de verificação manual

Dos chamados pedem confirmação manual do valor cobrado.

30 a 60 dias

Prazo até a resposta final

Cada chamado leva em média 1h30 de atendimento.

2 a 3 dias

Esforço para aplicar regras de isenção

Para aplicar as regras de isenção em uma operadora do cliente-piloto.

Aprendizados

Aprendizados

Nem todo problema de produto tem uma tela como resposta certa, e dizer isso com dado faz parte do trabalho.

  • Discovery pode redefinir o escopo prometido. Se a funcionalidade nasce de uma promessa comercial, o discovery precisa checar se ela resolve o problema, mesmo que isso questione o que já foi vendido.
  • Dado fragmentado também é problema de produto. Antes de desenhar a tela, é preciso decidir em que ponto do processo o dado fica confiável o bastante para ser exibido.
  • Restrição regulatória define a solução possível. A LGPD marca onde termina o trabalho manual e começa o automatizado, então um desenho que tentasse contorná-la seria inviável de aprovar.
  • Volume pequeno não significa esforço pequeno. Poucos chamados saíam caros porque cada um exigia triagem manual e semanas de resposta.
  • Interromper o desenho também é entrega. Evitou uma tela que passaria falsa sensação de precisão e deu à liderança uma base factual para renegociar o prazo.

Próximos passos

O que vem a seguir

O discovery terminou na entrega do diagnóstico, sem solução implementada. As duas perguntas de privacidade seguiram sem resposta e a entrega prometida ao cliente-piloto atrasou. Se a Alper seguir com a frente, os passos são:

  • Mapear ponto seguro de integração. Localizar a etapa técnica em que o dado já passou pela triagem manual.
  • Definir a visibilidade entre titular e dependentes. Decidir com jurídico e compliance se o titular pode ver o extrato do dependente e o que mostrar sobre menores.
  • Testar o fluxo assistido com o cliente-piloto. Validar o upload manual assistido antes de considerar automação.